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                       Teoria Arquivística -  Conceitos e Princípios

Referência Legislativa Básica: Visite o site do CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos)


Conceito:


A Teoria Arquivística, também conhecida como Arquivologia, pode ser entendida como um conjunto de princípios, conceitos e técnicas a serem observados na produção, organização, guarda, preservação e uso de documentos em arquivos.

Síntese: A teoria e o trabalho acadêmico dos arquivos é chamada arquivística. Há 2 (dois) aspectos que devemos salientar sobre "Arquivística":
a) O primeiro refere-se aos grandes volumes de documentos acumulados diariamente pelas organizações, o que exige uma maior sofisticação dos esquemas de classificação e;
b)
O segundo relaciona-se ao desenvolvimento teórico da organização de documentos arquivísticos.

Princípios: Os princípios arquivísticos constituem o marco principal da diferença entre a arquivística e as outras “ciências” documentárias. São eles:
Princípio da Proveniência: Fixa a identidade do documento, relativamente a seu produtor. Por este princípio, os arquivos devem ser organizados em obediência à competência e às atividades da instituição ou pessoa legitimamente responsável pela produção, acumulação ou guarda dos documentos. Arquivos originários de uma instituição ou de uma pessoa devem manter a respectiva individualidade, dentro de seu contexto orgânico de produção, não devendo ser mesclados a outros de origem distinta.
Princípio da Organicidade: As relações administrativas orgânicas se refletem nos conjuntos documentais. A organicidade é a qualidade segundo a qual os arquivos espelham a estrutura, funções e atividades da entidade produtora/acumuladora em suas relações internas e externas.
Princípio da Unicidade:
Não obstante, forma, gênero, tipo ou suporte, os documentos de arquivo conservam seu caráter único, em função do contexto em que foram produzidos.
Princípio da Indivisibilidade ou integridade:
Os fundos de arquivo devem ser preservados sem dispersão, mutilação, alienação, destruição não autorizada ou adição indevida.
Princípio da Cumulatividade:
O arquivo é uma formação progressiva, natural e orgânica.

                                                                             Fonte: www.tecnolegis.com/estudo-dirigido


Por Renato Tarciso Barbosa de Sousa
(Texto básico para o módulo 2 da disciplina Arquivo Corrente 1)

             O conceito das três idades documentais é uma novidade do século XX.
             As transformações ocorridas no mundo, principalmente a partir do pós-guerra, deram um rumo diferente à Arquivística.
            A urbanização e a expansão das atividades do Estado foram alguns dos fatores que criaram as condições para o crescimento vertiginoso da produção documental. Paralelamente, houve um aumento das necessidades de informação nas organizações. (MELLO, 1988, p. 12).             Os métodos de tratamento dos documentos até então existentes eram suficientes para responder às necessidades das organizações, mas não eram adequados para a nova situação que se configurava.  O aumento do acervo documental criou uma nova realidade e exigiu novos métodos.
            Em alguns países, diante desse novo quadro, foram formadas comissões governamentais com o objetivo de “encontrar soluções para a melhoria dos padrões de eficiência no uso dos documentos, por parte da administração pública.”(JARDIM, 1987, p. 36). Em 1947, foi criada, nos Estados Unidos, a Comissão Hoover.
            Os resultados dessa Comissão são comparáveis às contribuições do Manual de Arranjo e Descrição dos arquivistas holandeses para o pensamento arquivístico.
            O relatório foi publicado em outubro de 1948 e trazia como novidade os “records centers” ou centros de arquivamento intermediário. Os “records centers” deveriam guardar os documentos de valor primário, que por conta da diminuição da potencialidade de uso daqueles documentos poderiam ficar distantes dos arquivos montados nos setores de trabalho, isto é, dos arquivos correntes. Dessa forma, a criação da idade intermediária dá origem ao conceito das três idades documentais: corrente, intermediária e permanente.
            A justificativa para a criação dos arquivos intermediários era meramente econômica, pois os objetivos eram: esvaziar os escritórios e garantir redução dos custos de armazenamento, equipamentos e pessoal. 
            A idéia das três idades documentais surge com a elaboração da fase intermediária. É importante ressaltar que o conceito das três idades documentais é uma invenção humana, isto é, uma maneira encontrada dentro dos trabalhos da Comissão Hoover para resolver uma situação existente na administração pública americana do pós-guerra. Essa idéia foi encampada pela Arquivística contemporânea e, hoje, é um conceito aceito internacionalmente. Para os autores canadenses, a idade corrente e a intermediária são caracterizadas pela existência do valor primário, apesar da intensidade diferente. O valor primário, na definição do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, do Arquivo Nacional, é o “valor atribuído a documento em função do interesse que possa ter para a entidade produtora, levando-se em conta a sua utilidade para fins administrativos, legais e fiscais”. Esse valor pode ser dividido em três valores: administrativo; legal; fiscal. O administrativo é o “valor que um documento possui para a atividade administrativa de uma entidade produtora, na medida em que informa, fundamenta ou prova seus atos”. O legal é o “valor que um documento possui perante a lei para comprovar um fato o constituir um direito” e o fiscal é o “valor atribuído a documento para comprovação de operações financeiras ou fiscais”.      
            Nesse sentido, todo documento de arquivo nasce com valor primário em uma das suas três dimensões. A tendência, com o tempo, é desaparecer esse valor. A diferença encontrada é o tempo em que isso acontece. A permanência do valor primário para alguns documentos é rápida, outros, o intervalo é mais longo. E é nessa curva entre o valor primário máximo, momento da criação ou recebimento do documento, e a extinção, que se encontram as duas primeiras idades ou fases: corrente e intermediária.
           Um dos grandes desafios da Arquivística é estabelecer o momento da passagem documentos da fase corrente para a intermediária. As variáveis que vão definir essa passagem são as seguintes: o documento não apóia mais as atividades cotidianas; o término de uma atividade (projeto, convênio etc.); a exclusão da atribuição; a prescrição da ação. Para a maioria dos documentos, a primeira variável é a mais aplicável.
          A aplicação dessas variáveis depende de informações que podem ser encontradas no conhecimento tácito, nos próprios documentos e informações relacionados às atividades, nos documentos de criação da organização ou instituição (regulamento geral, estatuto, regimento interno etc.) e na legislação em geral.    
          O valor primário compreende as duas primeiras fases do ciclo de vida dos documentos: corrente e intermediária.    
          Esgotado esse valor, os documentos podem ser eliminados ou guardados permanentemente se apresentarem um outro valor. Entra em cena o valor secundário, que é aquele, segundo o Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, do Arquivo Nacional,  “atribuído a um documento em função do interesse que possa ter para a entidade produtora e outros usuários, tendo em vista a sua utilidade para fins diferentes daqueles para os quais foi originalmente produzido”. O valor secundário é analisado por Schellenberg (2005, p. 181) a partir de dois aspectos: “a prova que contém da organização e do funcionamento do órgão governamental que os produziu; e a informação que contêm sobre pessoas, entidades, coisas, problemas, condições etc. com que o órgão governamental haja tratado”. O primeiro aspecto é conhecido como valor probatório e o segundo como valor informativo.
            No caso específico da legislação em geral, apresentamos, como exemplo, a Resolução nº 1.639/2002, do Conselho Federal de Medicina, que estabelece a manutenção dos prontuários médicos enquanto o paciente estiver recebendo atendimento até vinte anos após o último registro. A leitura arquivística dessa Resolução indica que aquele documento tem valor primário até vinte anos após o último registro. O prontuário pertence ao arquivo corrente durante o tempo em que o paciente está sendo atendido pela instituição de saúde e a transferência para o intermediário vai acontecer em algum momento entre o último registro e os vinte anos seguintes. Sabe-se, por experiência da instituição de saúde, que o prontuário não utilizado nos últimos cinco anos não justifica sua permanência no arquivo corrente, pois a potencialidade de uso dele é muito pequena e não é suficiente para justificar sua guarda no arquivo corrente. Portanto, ele pode ser transferido para um outro local, esperando a extinção do valor legal, como determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina. A Resolução tem informações importantes para a determinação do valor secundário. Ela dispõe que devem ser mantidos permanentemente os prontuários que apresentem informações relevantes do ponto de vista médico-científico, histórico e social.                                    
              O arquivo corrente, que é o foco desse texto, é encontrado na literatura arquivística com as seguintes denominações: arquivo de gestão; arquivo ativo; arquivo de primeira idade; records. A literatura arquivística apresenta, também, algumas definições para arquivo corrente, são elas:   1 – “Consideram-se documentos correntes aqueles em curso ou que, mesmo sem movimentação, constituam objeto de consultas freqüentes” (Lei 8.159, 08/01/91);
2 – “Conjunto de documentos estreitamente vinculados aos fins imediatos para os quais foram produzidos ou recebidos e que, mesmo cessada sua tramitação, se conservam junto aos órgãos produtores em razão da freqüência com que são consultados” (Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística);  
3 – “Conjunto de documentos estreitamente vinculados aos objetivos imediatos para os quais foram produzidos ou recebidos no cumprimento de atividades-fim e atividades-meio e que se conservam junto aos órgãos produtores em razão de sua vigência e da freqüência com que são por eles consultados” (Dicionário de Terminologia Arquivística, 1996);
4 – “Utilizados freqüentemente para a condução das atividades da administração que os produziu” (Dicionário Internacional de Terminologia Arquivística);
5 – “(...) abrigam os documentos durante o seu uso funcional, administrativo, jurídico, seu trâmite legal, sua utilização ligada às razões pelas quais foram criados” (Heloisa Liberalli Bellotto);
6 – “(...) a primeira etapa ou idade é de circulação e tramitação pelos canais normais em busca de resposta ou solução para o assunto que foi iniciado. Está perto do funcionário responsável por sua tramitação sempre ao alcance de sua mão para seu manuseio freqüente” (Antonia Heredia Herrera);
7 - “(...) período durante o qual os documentos são indispensáveis à sustentação das atividades cotidiana de uma organização. Chamados a serem utilizados freqüentemente eles devem ficar próximos do usuário direto” (Jean-Yves Rousseau e Carol Couture);
8 – “(...) Agrupam os documentos ativos que apresentam um valor primário e que são indispensáveis à manutenção das atividades cotidianas de uma pessoa física ou jurídica” (Jean-Yves Rousseau e Carol Couture).                
        A partir da análise das definições apresentadas acima podemos fazer algumas considerações sobre o conceito de arquivo corrente, são elas:  
1 - o conceito das três idades fundamenta estratégias de avaliação. O processo avaliativo tem como pano de fundo a determinação de prazos de guarda para as idades corrente e intermediária e o estabelecimento da destinação final dos documentos, isto é, a eliminação ou a guarda permanente;
2 - os documentos correntes são essenciais ao desenvolvimento das atividades cotidianas. Essa é a característica maior do arquivo corrente, ou seja, servir os seus acumuladores diretos com informações para o desenvolvimento das atividades do setor de trabalho. São informações essenciais e fundamentais para garantir qualidade e rapidez na tomada de decisões;
3 - os documentos correntes são conservados para responder aos objetivos de sua criação;
4 - os documentos correntes deverão ser mantidos próximos aos usuários diretos. O arquivo corrente é constituído pelo conjunto de documentos existente nos vários setores de trabalho de uma organização ou instituição. Portanto, em uma primeira abordagem, a conformação é de um sistema descentralizado de arquivos, permitindo que os documentos correntes fiquem próximos, pela própria característica, do usuário direto;
5 - os documentos correntes não são, necessariamente, utilizados todos os dias. Há uma confusão entre freqüência e potencialidade de uso. Os documentos correntes têm uma possibilidade de uso grande, por isso da necessidade de mantê-los próximos dos usuários diretos. São poucos os documentos utilizados diariamente, mas são muitos aqueles que podem ser utilizados a qualquer momento de acordo com as atividades cotidianas de um setor de trabalho;
6 - a maioria dos documentos acumulados (produzidos e/ou recebidos) pode ter nenhum ou quase nenhum uso. Uma parte considerável dos documentos é produzida ou recebida apenas com a finalidade de registrar ou prestar uma informação, uma formalidade. Ele tem um potencial de uso grande, que não significa a certeza do uso;
7 - encerrado o período de atividade, os documentos podem ser eliminados, transferidos ao arquivo intermediário ou recolhidos ao arquivo permanente;
8 - os documentos transferidos ao arquivo intermediário podem, por razões diversas, retornarem ao período de atividade. Não é comum, mas existe a possibilidade. É o caso, por exemplo, de atividades que foram encerradas pela falta de recursos financeiros para sua realização ou por decisão política. Resolvidas as questões que determinaram sua finalização, os documentos, depois de transferidos ao arquivo intermediário, podem ser requeridos para dar continuidade às atividades que os originaram;
9 - o acesso às informações contidas nos documentos correntes é restrito aos seus acumuladores. Por questões relacionadas à proteção de informações pessoais e estratégicas para a organização ou instituição, os documentos correntes devem ter seu acesso aberto somente àqueles que lidam diretamente com as atividades, de onde eles se originaram.             
           A partir dessas considerações, podemos chegar a uma definição do conceito de arquivo corrente, que são conjuntos de documentos e informações de valor primário produzidos ou recebidos pelas organizações ou instituições, independente do suporte, que pela grande possibilidade de uso, precisam ser mantidos nos setores de trabalho, próximos aos usuários diretos, por causa do apoio que dão às atividades cotidianas.

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